Tem aplicativo pra tudo. Nem todos amigáveis. Nos melhores, é possível navegar com os sonhados poucos clics. Na maioria, é um périplo até a comunicação pretendida. Com muita sorte, o desejo, que levou à navegação digitada, é atendido. Abra um bom espumante, se deu certo. Foi mão de Deus.Mas eles estão no nosso cotidiano. Mais presentes do que visitas de filhos. Para o bem e para o mal, ninguém se mexe sem esbarrar em um.Qualquer comunicação não presencial, suscita a pergunta: já baixou o aplicativo? Ou a desgraçada informação: só no aplicativo!As empresas de telefonia, desenvolveram a cama de gato perfeita. Nas dificuldades, a loja presencial empurra para o aplicativo. O aplicativo manda para a loja. E o consumidor, pobre idiota, segue preso num empurra e empurra sem solução.Não é diferente com nossas antigas estatais, agora privadas, fornecedoras de água e luz. Resolver o problema é páreo pra ganhar na megasena. A segunda opção, periga ser mais fácil.Então… nesses dias de zona geral nas, cada vez mais reveladas, relações perigosas de ministros de tribunais superiores e gente, nada de bem, do topo da pirâmide social, nós, seres humanos sem toga, sonhamos que, um bom desenvolvedor, crie e ofereça um aplicativo para encontrar decência, ensinar a decência, praticar a decência. Fugir da cara de pau das mentiras. Tudo a dois ou três clics.O Aplicativo da Decência travaria, de cara, com promessas de “apuração rigorosa”. Posto que toda a investigação deve ser rigorosa, né não?Também indicando, com tela preta e som altíssimo, a proibição de que filhos, esposas, parentes ou aparentados próximos de ministros de tribunais superiores, juízes, promotores e assemelhados assumam defesas de negócios, ou de seus donos, com causas em seus tribunais, de qualquer preço – ninharias ou milhões. Não pode e pronto.O aplicativo ainda vetaria aos togados aceitar presentinhos e presentões – dos ternos aos aviões – dos tais investigados, suspeitos ou já condenados, mas ainda pendurados nas chicanas que a lei permite. Não pode e pronto.Togados não podem ter negócios – instituições de ensino ou institutos, igrejas e tudo que configure rendas outras que não seus bons salários. Esses, de bom tamanho, justamente para evitar olho guloso nas muitas oportunidades de ganhar dinheirão extra, enquanto decidem destinos do país, de pessoas e de coisas. Ganhar por fora não pode e pronto. Não é só feio. É crime.Excelências dos tribunais superiores não podem pegar caronas em jatinhos ou jatões, aceitar passagens áreas – seja de primeira classe ou na econômica. E até em ônibus leito noturno. Se bem que ônibus não é praia dos togados.Também não podem usar decisões monocráticas que envolvam coleguinhas e autoridades outras, fora de seus espaços de ações, definidas pela Constituição. Ministro não pode inventar moda ou brigar, em cena pública, com camaradas de assento nas Cortes. (Melhor trocar dedinhos de di-mal,no privado). Não pode rasgar a Constituição para favorecer parceiros de partido políticos, crença, sexo, raça, opção religiosa ou sexual.Juízes, ministros ou não, têm que se comportar como tal. Não estão liberados de serem decentes e probos, ainda que doa no bolso, leve bronca da mulher, do pastor, do Dani lindão e outros de igual patente.O aplicativo não inventa. Segue a lei – a escrita, a definida como o correto. O decente, enfim. Já que, como o próprio nome indica, será o aplicativo da decência. Para ajustar indecentes.Ainda em fase desenvolvimento, o novo aplicativo não tem data para estreia. Mas exigência de urgência, urgentíssima.










