O Diabo de Vila Velha é um filme brasileiro do gênero western feijoada lançado entre 1964 e 1965, dirigido por José Mojica Marins e inicialmente por Ody Fraga. Produzido no Paraná, o longa é uma das incursões de Mojica no gênero, incorporando elementos políticos e de aventura ambientados no interior brasileiro.
Sinopse A trama acompanha a chegada de um misterioso pistoleiro chamado Lorenzo a um vilarejo dominado por Amaro, conhecido como “o Diabo”. Dono de uma mina e líder de uma gangue violenta, Amaro controla a política local por meio da intimidação e da violência. Durante o período eleitoral, a população e membros da oposição organizam uma resistência contra o grupo criminoso, auxiliados pela polícia e pelo padre da cidade.
Produção O filme teve uma produção conturbada. Inicialmente dirigido por Ody Fraga, parte das filmagens ocorreu no Teatro Guaíra, em Curitiba. Com sucessivos atrasos, a direção foi assumida por José Mojica Marins, que concluiu o projeto e dirigiu as cenas externas filmadas no Paraná. As filmagens utilizaram locações naturais do estado, incluindo a região de Vila Velha e as Cataratas do Iguaçu. Segundo o Portal Brasileiro de Cinema, Mojica explorou as paisagens paranaenses de maneira inspirada nos westerns norte-americanos de John Ford.
Elenco Milton Ribeiro — LorenzoJosé Mojica Marins — Fagundes
Temas e estilo Embora mantenha convenções clássicas do western, o filme apresenta forte conteúdo político, abordando corrupção eleitoral, abuso de poder e conflitos sociais. O personagem de Mojica, Fagundes, antecipa alguns trejeitos que o diretor consolidaria posteriormente em seu personagem mais famoso, Zé do Caixão. A trilha sonora inclui uma canção composta por Mojica Marins para reforçar o clima sombrio da narrativa.
Legado O Diabo de Vila Velha é frequentemente citado como um dos experimentos de José Mojica Marins fora do horror tradicional, demonstrando sua afinidade com o gênero faroeste e o cinema popular brasileiro da década de 1960.
Referências